ARACAJU/SE, 15 de maio de 2026 , 0:29:12

O investidor brasileiro

Passarei adiante alguns dados da 5ª edição de uma pesquisa realizada pela ANBIMA que apresenta um raio X do investidor brasileiro. Os dados levantados referem-se ao ano de 2021 e abrangem o impacto da pandemia no comportamento dos investidores e seus desdobramentos.

O perfil dos entrevistados de uma forma geral é o seguinte:

– sexo: 47% marculino e 53% feminino;

– ensino: 33% ensino fundamental, 46% ensino médio e 21% ensino superior;

– renda: a renda média familiar foi de R$ 3.773,00;

– classe social:  28% classe D/E, 47% classe C, 22% classe B e, 3% classe A;

– ocupação: 70% trabalha, 21% assalariado registrado, 12% freelance e 8% autônomo regular;

– localização: 44% no Sudestes, 26% no Nordeste, 15% no Sul, 8% no Centro-Oeste e 8% no Norte;

– idade média: 42 anos;

Sobre a questão da decisão de investir, um ponto de atenção levantado na pesquisa é o conhecimento do brasileiro sobre as instituições financeiras que atuam no mercado e quais produtos e serviços oferecem. Neste quesito o resultado da pesquisa é o seguinte: 45% conhecem o Banco tradicional, 10% conhecem Banco Digital, 4% conhecem uma corretora, 2% conhecem cooperativa de crédito, 2% conhecem sociedade de crédito, 2% conhecem algum tipo de outro banco sem especificar, 1% conhece bolsa de valores, 9% conhecem outras instituições e 43% não conhecem qualquer tipo de instituição financeira.

Mas os percentuais acima mudam de acordo com a classe social que passam a ser os seguintes:

Classe A/B – 68% conhecem o Banco tradicional, 19% conhecem Banco Digital, 9% conhecem uma corretora, 5% conhecem cooperativa de crédito, 3% conhecem sociedade de crédito e 3% conhecem algum tipo de outro banco sem especificar, 2% conhecem bolsa de valores, 10% conhecem outras instituições e 43% não conhecem qualquer tipo de instituição financeira;

Classe C – 47% conhecem o Banco tradicional, 10% conhecem Banco Digital, 3% conhecem uma corretora, 2% conhecem cooperativa de crédito, 2% conhecem sociedade de crédito e 1% conhece algum tipo de outro banco sem especificar, 1% conhece bolsa de valores, 8% conhecem outras instituições e 42% não conhecem qualquer tipo de instituição financeira;

Classe D/E – 22% conhecem o Banco tradicional, 4% conhecem Banco Digital, 3% conhecem uma corretora, 2% conhecem cooperativa de crédito, 2% conhecem sociedade de crédito e 1% conhece algum tipo de outro banco sem especificar, menos de 1% conhece bolsa de valores, 10% conhecem outras instituições e 66% não conhecem qualquer tipo de instituição financeira.

Os dados revelam que existe uma grande lacuna a ser preenchida pelas próprias instituições financeiras em ampliar o conhecimento sobre quem elas são, o que fazem, seus produtos e serviços, pois o desconhecimento ainda é elevado na população em geral e nas tipologias de classes sociais. A atuação do marketing de referidas instituições financeiras e estratégicas de educação financeira necessitam de uma maior inserção, inclusive em todos os níveis de ensino.

É o conhecimento que faz o desdobramento da utilização das instituições financeiras. Na pesquisa é revelado que existe uma grande diferença entre as classes sociais quando é analisada a utilização dos produtos bancários oferecidos pelas instituições financeiras. Nas classes A/B aproximadamente 81% dos pesquisados afirmam ter conta corrente ou poupança em bancos tradicionais, já o percentual nas classes D/E é de 51%, A mesma ocorrência existe para os Bancos Digitais, nas classes A/B 42% dos pesquisados informaram possui conta ou poupança, enquanto que nas classes D/E o percentual é de 16% e na classe C, o percentual é de 31%.

Adicionalmente, temos os quesitos da bancarização no nosso país que ainda é baixo e bem distinto entre as classes sociais. Nas classes A/B o percentual de desbancarização que é o lado inverso da questão em análise, é de 5%; já nas classes D/E o índice de desbancarização é de 36%, portanto existe uma grande oportunidade para as instituições financeiras em inserir referida população no sistema bancário e, consequentemente ampliar o quantitativo de investidores brasileiros.

Sobre os investimentos existentes no mercado, o conhecimento do brasileiro ainda é baixo, os dados da pesquisa apontam o seguinte: dos produtos financeiros disponíveis, o mais conhecido entre os brasileiros é a poupança, que apareceu em 11% das citações espontâneas da pesquisa, seguida das ações de bolsas de valores, com 10% das citações. Os fundos de investimentos e os títulos públicos e títulos privados foram citados na mesma proporção, 6%. Em percentual menor aparecem as moedas digitais com 5%, destacando-se que a maior citação por moedas digitais na população em geral, ocorre nas classes A/B com 10% das citações. E no geral, fica evidenciado que é muito maior o desconhecimento dos produtos financeiros existentes no mercado, que o desconhecimento sobre a existências dos bancos, pois a pesquisa evidencia que 72% dos entrevistados desconhecem qualquer tipo de produto financeiro. E isso no ensino, só existe em cursos de nível superior e bem específicos em formação de finanças, geralmente na formação de administradores, contadores e economistas.

Diante deste cenário o investidor brasileiro que possui poucas informações e conhecimentos do assunto tem um ímpeto reduzido de efetuar investimentos. Dessa forma, o que tivemos no ano de 2021, conforme a pesquisa da ANBIMA, foi o seguinte: 6% dos entrevistados investiram em aplicações financeiras/bancárias, 6% em bens duráveis e imóveis, 5% em empreendimentos e negócios e 82% dos entrevistados não realizaram nenhum tipo de investimento.

A consequência de referido desconhecimento é termos um perfil de investidor brasileiro mais conservador e com grande aversão a correr riscos de investir em produtos não tradicionais. Assim, ressalto a necessidade de ampliação da educação financeira em todos os níveis de ensino, nos meios de comunicação e nos lares para que tenhamos uma sociedade mais engajada na realização de investimentos que ajudarão a desenvolver o nosso país.