O tema não é novo, e nunca será velho. A questão da ética nas profissões, e, especialmente na profissão médica, não pode ser esquecida por se tratar de fundamento essencial para a boa prática da medicina e a prevenção de muitos problemas que podem afetar o profissional e a vida de seus pacientes, e porque não dizer, de toda a sociedade.
Cuidar da saúde e da vida de uma pessoa não é tarefa somente técnica, implica também numa formação humanista que perceba além dos limites físicos e biológicos da existência humana, a complexidade do ser humano à luz da filosofia e da sociologia. Compreendendo ainda as consequências decorrentes da conduta do profissional médico que podem se configurar falta ética sujeita a procedimento administrativo disciplinar nos Conselhos Regionais de Medicina e no Conselho Federal, e também, sem exclusão, a prática de conduta considerada ilícito civil e penal, a exigir a reparação civil de eventuais danos materiais, estéticos e morais, sem prejuízo da condenação em processo penal por ato definido como crime.
A sociedade de consumo tem transformado de modo perigoso as relações médico-paciente, médico-médico e médico-empresa (estado, plano de saúde e estabelecimentos médicos). A busca pela produtividade e a mercância da atividade do médico, antes profissão liberal, autônoma, regida especialmente pela autorrealização de salvar vidas e de diminuir ao máximo o sofrimento do paciente, deu lugar a parâmetros de economia de mercado, reduziu o tempo do contato com o paciente por conta do valor da consulta e da necessidade de se produzir mais e mais, com muito menos.
O médico, ainda que não empregado, sofre de um processo de “pejotização”, ou seja, se torna um “falso empreendedor individual” para facilitar as relações de trabalho em clínicas e hospitais, públicos e privados, e transformam este profissional num verdadeiro escravo, que em busca de uma renda suficiente para manter sua família e o seu status, perde em qualidade de vida e perde em postura ética.
Os cursos de medicina precisam investir não somente na formação técnica do futuro médico, devem também investir na sua formação ética e humanista, é imprescindível que o estudo da ética não seja apenas um arremedo de disciplina para cumprir o currículo obrigatório, esta disciplina tem que ser obrigatória e ministrada de forma competente e estimulante para que os estudantes de medicina possam compreender o nível de exigência ética que a sua profissão exige.
Assim, talvez se possa ver menos nas mídias casos que envolvam profissionais médicos acusados de falta de ética e da prática até mesmo de crimes odiosos, como estupros e violências contra pacientes já vitimizados pela própria vida.
