O Pagamento de uma promessa e as (duras) lições aprendidas – parte 2

Caro leitor do Jornal Correio de Sergipe e do Portal AJN1, nessa segunda coluna gostaria de começar agradecendo as inúmeras manifestações de apoio que recebi, para continuar escrevendo as lições que aprendi no caminho de Santiago de Compostela. Para quem estava inseguro como eu, por ser marinheiro de primeira viagem, foi muito importante, obrigado de coração.

No segundo dia da jornada, eu e minha esposa Roberta saímos de Triacastela (cidadezinha de 811 habitantes onde dormimos no primeiro dia). O percurso foi mais leve e curto, de 18,4 km, até a segunda cidade, o que me ajudou a seguir mesmo com o joelho machucado. Porém enfrentamos uma leve chuva e um frio de 10 graus (que para nós nordestinos já é congelante).

As paisagens eram lindas de doer, quase inacreditáveis, cheia de morros íngremes com pastagens com gado bovino da raça de corte da região (Rubia Gallega), muito mansa e linda, de cor dourada.

No percurso, me veio ao pensamento uma cena que tinha ocorrido em Santiago, antes de iniciar a peregrinação. Numa fila para entrar em um museu, a máquina registradora do caixa quebrou e a atendente, ao invés de receber o valor do ingresso manualmente, como se faria no Brasil, ficou esperando o conserto.

Como isso demorou e a fila se agigantou, um homem norte-americano na nossa frente começou a reclamar e a cobrar que ela recebesse manualmente.

Ao que a funcionária respondeu com ironia, de forma rude, com piadas. E aí se iniciou uma discussão entre os dois que poderia ter sido evitada e que não adiantou de nada, porque a atendente esperou o conserto da máquina e só então pôs a fila para andar.

Percebi então que algumas vezes eu havia agido como aquela atendente de Santiago e tido conflitos que poderiam ter sido evitados se eu tivesse me calado ou respondido com mais jeito.

Na minha memória, todas as vezes que respondi de forma rude, a outra parte tinha dado motivo, provocado, me agredido, me desrespeitado de alguma forma. Só que a minha resposta no mesmo tom não serviu para nada, apenas para criar um conflito. E o que é pior: não me recordo de jamais o ofensor  ter reconhecido o erro. Então, para que serviu a resposta do tipo “bateu, levou”?

Como está escrito no livro de provérbios 25:15, “a língua branda pode quebrantar ossos”.

Desta forma veio à minha mente e ao meu coração a segunda lição de caminho: “Responder sempre com educação, mesmo ofendido, de forma a evitar inimizades”.

Reconheço que isso é muito difícil de fazer. Pois tratar com educação e responder com delicadeza a quem nos trata bem é fácil. Difícil é fazer isso com quem nos trata mal.

Confesso que ocasionalmente não consigo seguir essa lição e respondo de forma dura, do que depois quase sempre me arrependo.

A verdade é que não é fácil mudar, principalmente se for questão de temperamento e até de criação. Mas é possível e estou perseguindo esse objetivo.

Voltando ao percurso, a cidade a que chegamos, Sárria, tinha 13.000 habitantes, e foi a maior que encontramos até chegar em Santiago. Tinha bons restaurantes, e assim eu e Roberta pudemos jantar fora.

Curiosidade 1: Quando saíamos para jantar, sempre encontrávamos pessoas que havíamos visto no percurso, o que sempre gerava boas conversas e troca de idéias, o que é uma das melhores coisas do caminho.

Curiosidade 2: Roberta também teve os seus sofrimentos e aprendizados. Nesse segundo dia, por exemplo, os pés dela se encheram de bolhas e ela também pensou que não iria conseguir terminar. Foi ajudada, pelo whatsapp, por colegas do clube de corridas que ela participa, que a estimularam e a ensinaram o que fazer com as bolhas.

Curiosidade 3: No segundo dia continuei usando minha bota de obra Timberland, que eu adorava, mesmo com o joelho doendo e mancando. E então, ao chegar em Sárria, comprei dois cajados para usar no terceiro dia. Às vezes demoramos para entender as lições de Deus. E aí ELE manda alguma pessoa para nos dizer claramente o que fazer.

Mas isso já é assunto para a próxima coluna!

Observação: se você não leu a primeira coluna e deseja ler para entender melhor a segunda, acesse o meu blog no portal ajn1.com.br.

Autor

João Alves Neto

Outras Notícias

voltar para página anterior