O Rei-Pastor

A Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, sempre se contrasta com a situação do mundo atual, que aparenta a falência da moral, das instituições, da família e do sadio conceito de pessoa, diante de um panorama que, sem a fé e a esperança cristãs, apresenta tudo como perdido.

Já no Antigo Testamento, como anúncio da realidade-Cristo, o Profeta Ezequiel apresenta-nos a promessa do próprio Deus, que Se identifica como Rei-Pastor: “Vede! Eu mesmo vou procurar minhas ovelhas e tomar conta delas. […] Eu mesmo vou apascentar as minhas ovelhas e fazê-las repousar – oráculo do Senhor Deus – . Vou procurar a ovelha perdida, reconduzir a extraviada, enfaixar a da perna quebrada, fortalecer a doente, e vigiar a ovelha gorda e forte. Vou apascentá-las conforme o direito” (Ez 33,11.15-16). Que palavras inspiradas pela brandura, que nos confortam e enchem de esperança para uma resposta convicta de fé e amor! Não estamos à mercê da nossa nefasta sorte: Deus está conosco, é Emanuel (cf. Is 8,8-10), e nos conduz pelos vales tortuosos da história humana (cf. Sl 22,4). Ele encaminha-nos para as Suas águas repousantes, restaurando as nossas forças, fazendo-nos confiantes (cf. Sl 22,2-3).

O Cristo-Rei é Bom Pastor. E, tal como a parábola bastante conhecida nossa, a da Ovelha Perdida (cf. Lc 15,1-7; Mt 18,10-14), Ele põe-nos aos ombros para estarmos no único rebanho do Verdadeiro Pastor, a Sua Igreja, sacramento do Seu Reino. Pelo mistério da Santa Igreja, grei de Cristo-Rei, ganhamos os meios de salvação; esta mesma Igreja que, como Esposa solícita pelo que é do Esposo, prepara tudo para a Sua chegada, aprontando-nos para o fim dos tempos, adiantando a realeza de Cristo, submetendo a Ele todas as coisas, “para que Deus seja tudo em todos” (1Cor 15,28).

Para tanto, como ovelhas do rebanho do Senhor, participantes e filhos desta mesma Igreja, é preciso que, pela obediência, os nossos corações estejam voltados para a voz de Cristo, que nos fala nos tempos e nas situações que se nos apresentam, até mesmo naquelas que, trivialmente, passamos. Porque, no fim, Ele separar-nos-á à sua direita e à sua esquerda, de acordo com a nossa docilidade aos Seus mandamentos. Aos da direita dirá: “Vinde benditos de meu Pai! Recebei como herança o Reino que meu Pai vos preparou desde a criação do mundo! Pois eu estava com fome e me destes de comer; eu estava com sede e me destes de beber; eu era estrangeiro e me recebestes em casa; eu estava nu e me vestistes; eu estava doente e cuidastes de mim; eu estava na prisão e fostes me visitar” (Mt 25,34-36); enquanto que dirá aos da esquerda: “Afastai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno, preparado para o diabo e para os seus anjos. Pois eu estava com fome e não me destes de comer; eu estava com sede e não me destes de beber; eu era estrangeiro e não me recebestes em casa; eu estava nu e não me vestistes; eu estava doente e na prisão e não fostes me visitar” (Mt 25,41-43).

Como ovelhas do Rei-Pastor, somos responsabilizados não apenas para a vivência, como também para a promoção da justiça divina, pela qual seremos julgados (cf. Ez 34,17); uma justiça que é acompanhada de misericórdia, de caridade, porque, como asseverou São João da Cruz, “no entardecer da nossa vida, seremos julgados pelo amor”. Possivelmente, “a hora” da nossa vida neste mundo já está adiantada. Não sabemos ao certo se já é tarde, se o “nosso sol” já está a caminho do seu poente. Então, aproveitemos todas as ocasiões para, ouvindo a voz do Pastor Cristo-Rei, prepararmos, já em nosso coração e a partir dele, o Seu Reino, não apenas suplicando com os lábios, mas, antes de tudo, adiantando-o com a nossa vida: “Venha a nós o vosso Reino!”.

Autor

Pe. Everson Fonseca

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