ARACAJU/SE, 15 de maio de 2026 , 4:55:35

O rio e as serras

O Douro corre mansamente, em meandros, circundado por serras, onde a parreira, matematicamente plantada, desempenha o papel de permanente guarda de honra. Serras um tanto pontiagudas, cortadas de vias para facilitar o trafego dos que dela se utilizam, a se multiplicar, ao pé do Douro, forrando a paisagem de uma beleza singular, como se além de servir de berço apropriado para a parreira, estivessem sempre arrumadas para pousar perante  os que por ali passam, no afã de guardar um pedaço do belo e grandioso que serras exibem, em tomadas de vários ângulos, pelo dia e no entardecer, na dificuldade de escolher a melhor de todas em meio a tanta grandiosidade, ao que se acrescentam as oliveiras, em número menor,  também a ilustrar o ambiente. Os cais de Pinhão é o ponto de máxima beleza. O rio, sereno, e as serras, esverdeadas, a dividir as atenções, dupla harmônica, um tentando superar o outro.

De trem, acompanhei a paisagem de Pinhão até Pocinho, os olhos presos na paisagem, na ida, lado direito, na volta, esquerdo, de modo a assimilar o cenário que se descortinava, a parreira predominando, o Douro serpenteando o seu vale, em trechos, bem largos, em outros, estreito, e as serras marcando presenças, algumas transformadas em gigantescas pedras, a receber diretamente o bafejo das águas do Douro, em permanente contato.

Difícil dizer o que é mais, se o rio, de água esverdeada, de profundidade suficiente para abrigar, muitas vezes, até três navios de cruzeiro, onde, igualmente, barcos menores são colocados à disposição do turista para passeios de uma hora ou mais, a depender da conveniência de cada um, o olhar de todos cravado nas margens, onde as quintas, aqui e ali, abrem espaço no meio das parreiras; ou se é mais as serras, harmonicamente superlotadas de parreiras.

Bendito o vale do Douro, com serras fincadas como se fossem imensas covas, berço de parreiras e de oliveiras, pela fartura da uva e da azeitona brotadas. É vendo e apreciando, enchendo os olhos com tudo de majestoso ostentado que se chega à conclusão de que Deus, quando criou o mundo, na construção de cada espaço, resolveu colocar, ali, o rio e as serras, para que o homem cultivasse a uva e o nativo e o estrangeiro, além do cenário, sorvessem o vinho produzido.

                                      Membro das Academias Sergipana e Itabaianense de Letras