ARACAJU/SE, 15 de maio de 2026 , 3:57:11

O Semiárido Sergipano

Conforme informações do Instituto Nacional do Semiárido (INSA), o Semiárido Brasileiro se estende pelos nove estados da região Nordeste e também pelo norte de Minas Gerais. No total, ocupa 12% do território nacional e abriga cerca de 28 milhões de habitantes divididos entre zonas urbanas (62%) e rurais (38%), sendo, portanto, um dos semiáridos mais povoados do mundo. Trata-se de uma região rica sob vários aspectos: social, cultural, ambiental e econômico, e é nela que o INSA atua. O Instituto Nacional do Semiárido (INSA) é uma Unidade de Pesquisa integrante do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI).

Regulamentado pelo Decreto nº 5.563, de 11 de outubro de 2005, o INSA tem como finalidade promover o desenvolvimento científico e tecnológico e a integração dos polos socioeconômicos e ecossistemas estratégicos da região do Semiárido brasileiro, bem como realizar, executar e divulgar estudos e pesquisas na área de desenvolvimento científico e tecnológico para o fortalecimento do desenvolvimento sustentável da região. Sua missão é ser agente de transformação, promovendo inovação tecnológica e social para o Semiárido brasileiro. O Regimento Interno do INSA estabelece que as atividades desenvolvidas pelo instituto sejam baseadas em cinco eixos: 1º Articulação 2º Pesquisa 3º Formação 4º Difusão e 5º Políticas Públicas. Para isso, atua nas seguintes áreas de pesquisa: biodiversidade; ciência e tecnologia de alimentos; desertificação e agroecologia; energia; gestão da informação e do conhecimento; inovação, recursos hídricos; sistemas de produção animal e vegetal; solos e mineralogia.

De acordo com a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), os critérios para delimitação do semiárido são os seguintes: precipitação pluviométrica média anual igual ou inferior a 800 mm, índice de aridez de Thornthwaite igual ou inferior a 0,50 e percentual diário de déficit hídrico igual ou superior a 60%, considerando todos os dias do ano.

Pela importância do território do semiárido brasileira, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), possui uma unidade específica para a região, trata-se da Embrapa Semiárido que é uma das 47 Unidades da Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Está localizada na cidade de Petrolina (PE), com atuação voltada para a sustentabilidade dos sistemas de produção agrícola no Semiárido brasileiro, nas áreas de agropecuária dependente de chuva, agricultura irrigada e recursos naturais.

O estado de Sergipe tem 29 municípios no semiárido, a saber: Amparo do São Francisco, Aquidabã, Canhoba, Canindé de São Francisco, Carira, Cedro de São João, Cumbe, Feira Nova, Frei Paulo, Gararu, Gracho Cardoso, Itabi, Macambira, Monte Alegre de Sergipe, Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora da Glória, Nossa Senhora das Dores, Nossa Senhora de Lourdes, Pedra Mole, Pinhão, Poço Redondo, ,Poço Verde, Porto da Folha, Propriá, Ribeirópolis, São Miguel do Aleixo, Simão Dias, Telha e Tobias Barreto.

Diante da importância de referido território, julgo que seria importante termos uma caracterização da economia do semiárido sergipano. O INSA em sua abordagem sobre o semiárido relembra que quando se fala em “clima semiárido”, frequentemente a primeira imagem que surge é a de uma natureza severa e bastante inóspita. Isto não está totalmente errado, visto que estas regiões se caracterizam principalmente pela irregularidade das chuvas e pelas altas taxas de evapotranspiração, elementos que juntos contribuem para o risco constante de escassez hídrica. Porém, tanto quanto a seca é parte indissociável do Semiárido, também o é o fenômeno das monções torrenciais, que caem eventualmente em períodos curtos e provocam cheias, reavivando os milhares de rios e lagos intermitentes, devolvendo pujança à vegetação e ajudando a recuperar os reservatórios. Assim, esta dicotomia climática torna o Semiárido brasileiro ao mesmo tempo um dos mais habitáveis do mundo e uma região particularmente suscetível às mudanças climáticas, razão pela qual sua climatologia conta com diversos monitoramentos científicos e com a sabedoria popular do povo sertanejo.

O Semiárido sergipano tem um grande potencial de exploração econômica, vale registrar que o semiárido brasileiro tem mais de onze mil espécies vegetais catalogadas e mesmo que o bioma predominante seja a caatinga, constituída especialmente por leguminosas, gramíneas, euforbiáceas, bromeliáceas e cactáceas e isto também se reproduz no semiárido sergipano, o que sinalize diversas oportunidades de exploração econômica para o território.

A economia do semiárido sergipano tem na pequena agricultura uma força importante de sobrevivência e que nos últimos tem contribuído para a redução das desigualdades e promoção do desenvolvimento no meio rural sergipano.  Neste aspecto o papel do apoio do apoio creditício do Banco do Nordeste do Brasil tem sido determinante para o fortalecimento econômico das atividades que repercutem na cadeia da pequena agricultura sergipana.

Dentre as diversas ações do BNB, gostaria de registrar o papel do Programa de Microfinança Rural do Banco do Nordeste, o Agroamigo, que busca melhorar o perfil social e econômico das famílias do campo. Por meio de seus agentes de microcrédito, atende, de forma pioneira no Brasil, e em Sergipe tem sido determinante, a milhares de agricultores e agricultoras familiares, enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), com exceção dos grupos A e A/C.

Sobre as demais atividades do semiárido sergipano, ressalto a transformação que foi realizada com o crescimento e desenvolvimento da bacia leiteira que hoje é polarizada pelo município de Nossa Senhora da Glória, no Alto Sertão do estado, que ampliou as bases produtivas dos pecuaristas da região.

O semiárido sergipano tem potencial de industrialização para além da agroindústria leiteira e diversas outras atividades e setores produtivos que podem usufruir do capital social existente na região, criando uma nova dinâmica de desenvolvimento territorial para a população local.