Abordarei adiante três produtos do setor rural sergipano que possuem relevante participação nacional e apontam que referido setor, mesmo participando com menos de 5% do PIB estadual, possui destaque nacional em alguns itens da economia rural brasileira.
Laranja – o estado de Sergipe sempre se destacou na produção de laranja e junto com a Bahia responde por aproximadamente 90% de toda área plantada do Nordeste.
Ao longo dos últimos 50 anos Sergipe continuou expandindo a produção de laranja no estado, especificamente no Centro-Sul e por limitações de terra, muitos produtores sergipanos começaram nos anos 2000, a expansão da produção de laranja em terras do Norte da Bahia na fronteira com Sergipe.
A partir da metade dos anos 1970 até o início dos anos 1990, a citricultura sergipana teve o apogeu econômico com uma área de aproximadamente 50 mil hectares. Após esse período, a citricultura entrou em um período de estabilidade e passou para um novo ciclo de grandes desafios mantendo-se estável até 2005, e, atualmente mesmo tendo ainda importante participação nacional, apresenta diversos desafios que necessitam de políticas públicas.
A situação da laranja em Sergipe no momento é a seguinte: a safra 2020 foi de 359.961 toneladas; já para a safra de 2021 a previsão é de uma produção de 371.769 toneladas, um crescimento de 3,3%. Em nível nacional, Sergipe ocupa a quinta posição na produção de laranja, com mais de 30 mil hectares de área colhida. Os outros maiores produtores de laranja são: 1º – São Paulo, 2º Minas Gerais, 3º Paraná e 4º Bahia.
A cultura da laranja se destaca como um dos principais produtos agrícolas de Sergipe, sendo o suco de laranja, o principal produto exportado, responde por 47% das exportações sergipanas. Além disso, a maioria dos citricultores comercializa suas frutas via atravessadores/intermediários (algumas são pequenas empresas beneficiadoras), seguidos da indústria de suco e venda direta em mercados e feiras livres. As principais empresas localizam-se na região Sul de Sergipe, destacando-se, nos últimos anos, a Maratá e a Tropfruit localizadas no município de Estância e a Sumo, baseada em Boquim.
Coco – O coqueiro foi introduzido no Brasil através da Bahia, recebendo a denominação de coco-da-baía, e expandiu-se inicialmente pelo litoral nordestino, onde se encontram os principais produtores nacionais, Bahia, Sergipe e Ceará. A Região Nordeste é a principal produtora nacional de coco, cuja posição foi conquistada desde a introdução do coqueiro no país e que ainda vem se mantendo, devido às condições edafoclimáticas favoráveis nas zonas litorâneas. Nessa Região concentram-se 82,9% da área colhida de coco do Brasil e 74,0% de sua produção. Em Sergipe, percebe-se uma crescente demanda por água de coco, produto que contribuiu com a expansão do coqueiro para outras regiões e com o aumento da produtividade e produção nas últimas décadas
Na economia sergipana, o coco enquadra-se no elenco das culturas alimentares do período colonial, vindo a assumir posição de destaque somente a partir da década de 1930, o que levou a divisão do estudo em dois períodos: o primeiro, até 1920, quando os diferentes estudos apenas citam a existência do coqueiro no Estado, mas não apresentam dados sistemáticos sobre o mesmo.
A cocoicultura no estado de Sergipe representa importante fonte de renda para muitos produtores, ocupando aproximadamente 42.000 mil ha, dos quais 80% estão localizados em área de baixada litorânea e tabuleiros costeiros.
Extensão de terra que ocupa um total de 10.312 hectares (ha), sendo 7 mil irrigável por sistemas de bombeamento e distribuição de água via canais, o Platô de Neópolis, que também se estende até o município vizinho de Japoatã, é uma área de exploração agrícola e infraestrutura que pertence ao Governo do Estado. É subdividido em 40 lotes empresariais em regime de concessão, que entre si administram o funcionamento do polo irrigado.
Quase 88% da área destinada ao plantio do fruto, no Platô, é ocupada pelo coco verde, que fornece a água de coco. O produto, vendido in natura ou envasado, conquista cada vez mais consumidores, impulsionados pelo turismo das praias nordestinas e pela população cada vez mais adepta à alimentação natural. Saudável, não engorda e é recomendado até na recuperação de pacientes hospitalares. A produção irrigada de Neópolis contribui com quase todo coco produzido em Sergipe, terceiro produtor no ranking nacional, com mais de 230 mil toneladas do fruto
A carcinicultura começou a despontar em Sergipe a partir de 2005, período em que foi criada a Associação dos Criadores de Camarão do Estado de Sergipe (ACES). A região Nordeste do Brasil é a que detém atualmente a maior concentração de produção, respondendo por 99,6% da produção nacional, de acordo com dados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2019. Rio Grande do Norte e Ceará são os maiores produtores do país, em primeiro e segundo lugar, respectivamente, seguidos de Pernambuco e Sergipe. Pelos dados recentes do IBGE, a produção de camarão em viveiro escavado é de 3.232 toneladas/ano. Os municípios maiores produtores são: Nossa Senhora do Socorro (1.120 toneladas/ano), Brejo Grande (832 t/a), São Cristóvão (446 t/a) Santos Amaro (197 t/a) e Indiaroba (165 t/a) seguido de mais 12 outros municípios.
Em Sergipe, mais de 95% dos produtores de camarão são pequenos e microprodutores, que são aqueles criadores que tem apenas um ou dois viveiros. São caracterizados ambientalmente como pequenos produtores os que possuem terreno abaixo de 10 hectares. Isso se torna bastante relevante, porque envolve uma família inteira, pois é com a mão de obra familiar que eles transformam as suas vidas.
Poderíamos citar diversos outros produtos que sinalizam forte participação do setor rural sergipano no cenário nacional, a lista é grande, mas estes três representam uma boa amostra da força do setor rural sergipano.
