Em meio um tsunami de desinformações com interesses político-eleitorais o cidadão brasileiro assiste atônito questões relevantes de saúde serem tratadas como jogo de futebol de várzea. Ou seja, sem muita seriedade.
Estudos científicos nas melhores escolas de medicina do mundo, inclusive na prestigiada Universidade de São Paulo, reconhecem o uso da substância canabidiol, que é necessário que se diga que não é a maconha. Apesar de muitos políticos e até mesmo profissionais de saúde desinformados ou mal-intencionados divulgavam a ideia que confunde os produtos da planta da canabis que são o canabidiol (CBD) e o tetra-hidrocanabidiol (THC) que são usados de forma terapêutica, cuja concentração não se compara a um cigarro de maconha.
Segundo o dr. Renato Anghinah, coordenador do Curso de Medicina Canabinoide da Escola de Educação Permanente da Faculdade de Medicina da USP e Professor Livre Docente da FMUSP, “a quantidade de THC nos remédios é 0,3%. No cigarro de maconhas, pode ter de 10 a 15%.”
Uma das vantagens no uso do canabidiol quase não causa efeito colateral no paciente e nem dependência química, ao contrário do que sempre é divulgado pelos que são contrários ao uso. Mesmo sendo comprovado cientificamente de o produto ajuda na prevenção do desenvolvimento ou combate de várias doenças.
Existe um consenso médico sobre a indicação do uso do CBD na epilepsia infantil refratária, autismo e dor neuropatia/dor crônica, e atualmente é também utilizado para tratar epilepsia em adultos, ansiedade, sono, por exemplo.
Nos pacientes com Parkinson e Alzheimer, mostram os estudos que o CBD ajuda a diminuir os sintomas de agitação motora e distúrbios comportamentais, promovendo mais qualidade de vida aos pacientes e aos cuidadores.
Desde 2014 que vem sendo possível a importação após decisão judicial, e hoje é possível importar produtos aprovados pela Agência Nacional de Vigilância (ANVISA). O que precisamos é que o Brasil possa produzir com segurança e qualidade esses medicamentos, barateando os seus custos para que possam ser utilizados pelo maior número de pacientes e pelo Sistema Único de Saúde.
No entanto, o Conselho Federal de Medicina – CFM baixou uma resolução que restringia a prescrição do canabidiol. Felizmente a reação das associações médicas contribuiu para que a razão fosse restabelecida e o CFM suspendesse a referida resolução.
Necessário que o CFM se aproxime dos centros de pesquisa e contribua para que o preconceito sobre esses componentes fique no passado, e que se possa melhorar a qualidade de vida de pacientes com epilepsia, autismo, dores crônicas, Parkinson e Alzheimer, e outras doenças que ainda estão pesquisando.
