Em um relatório recente, o Banco de Compensações Internacionais (BIS) na sigla em Inglês para Bank for Internactional Sttlements, abordou a questão do crescimento dos pagamentos digitais pelo mundo. De acordo com a instituição, os pagamentos digitais ainda não substituíram totalmente o dinheiro físico e ressalta que a demanda pública por dinheiro permanece estável, pois ainda existe muita gente que só confia em receber ou pagar com dinheiro físico.
No nosso país eu entendo que a digitalização está efetivamente mudando a forma como as pessoas pagam e o relatório do BIS aponta que as inovações tecnológicas permitiram novos modelos de acesso, como o banco online e os aplicativos móveis, isto permitiu que consumidores e empresas migrassem de dinheiro e cheques para pagamentos eletrônicos, incluindo pagamentos com cartão, transferências eletrônicas de fundos e pagamentos com dinheiro eletrônico. Um fator adicional descrito pelo relatório do BIS foi a maior demanda por conveniência e velocidade que resultou em um uso crescente de pagamentos rápidos e sem contato.
A pandemia da Covid-19 iniciada em 2020 adiantou este processo de aceitação das transferências de crédito digitais e pagamentos com cartão sem contato. Ao mesmo tempo, a pandemia levou a um aumento nas reservas de caixa.
A Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN), que é a principal entidade representativa do setor bancário em nosso país, discrimina como canais digitais, o Internet Banking e os APPS Bancários, que realizam quase todas as operações bancárias para os clientes e viabilizam os pagamentos digitais.
Do outro lado, o dinheiro físico, ainda permanece presente em nossa sociedade, destacando-se o papel da Cada da Moeda do Brasil, que foi fundada em 8 de março de 1694, época em que as poucas moedas existentes no Brasil vinham de Portugal ou eram conseguidas do comércio de viajantes estrangeiros.
A Casa da Moeda do Brasil, possui três unidades industriais: o Departamento de Cédulas, responsável pela impressão das cédulas do meio circulante nacional; o Departamento de Moedas e Medalhas, que atua na cunhagem de moedas de circulação e também de moedas e medalhas comemorativas; o Departamento de Produtos Gráficos e cartões, responsável pela produção de produtos gráficos da empresa, como passaportes, selos fiscais, selos postais, diplomas, carteiras, entre outros produtos.
Dessa forma, a Casa da Moeda contribui para a estruturação do meio circulante nacional que é constituído pelas cédulas e moedas metálicas do padrão monetário real, que estão em poder do público e da rede bancária.
Em pesquisa realizada no Banco Central do Brasil, na posição de 01/02/2023, tinha em circulação 7.624.602.037 cédulas, cujo montante resulta em R$ 331.853.414.635,00. As cédulas em maior quantidade são as de R$ 50,00 com 1.916.995.808 cédulas, e as com menor quantidade são as cédulas de R$ 200,00 com 123.243.715 cédulas. Registrando-se que temos cédulas dos seguintes valores: R$ 1,00, R$ 2,00, R$ 5,00, R$ 10,00, R$ 20,00, R$ 50,00, R$ 100,00 e R$ 200,00.
Em moedas o Brasil tinha em circulação na posição de 01/02/2023, 29.540.294.075 moedas, cujo montante resulta em R$ 7.856.735.849,74. A moedas em maior quantidade são as de R$ 0,10 com 7.780.387.438 moedas, e as com menor quantidade são as moedas de R$ 0,01 com 3.191.005.23 moedas. Destacando-se que temos moedas dos seguintes valores: R$ 0,01, R$ 0,05, R$ 0,10, R$ 0,25, R$ 0,50 e R$ 1,00.
Pelo apresentado de quantidade física de cédulas e moedas, denota-se que ainda temos relevante circulação de dinheiro físico, porém, a minha opinião é que manusearmos cada vez menos o dinheiro físico. Isso já se percebe com relação às moedas, é muito difícil transacionar-se com moedas é algo quase inexistente e as cédulas vem declinando continuamente o seu uso, mas elas ainda persistem.
Voltando para a discussão dos pagamentos digitais, entendo que a revolução iniciou em novembro de 2020, com o lançamento do PIX, a grande guinada das transações bancárias do nosso país. De acordo com a FEBRABAN, em pouco tempo de funcionamento, o PIX já ultrapassou, em volume, outros meios tradicionais de pagamento e continua crescendo. O PIX permite pagar compras, transferir e receber recursos instantaneamente 24 horas por dia, todos os dias da semana, de forma simples e rápida e tudo pode ser feito pelo celular, sem burocracia e sem pagamento de tarifa, uma verdadeira revolução dos meios digitais.
Por fim, esta discussão de pagamentos digitais e dinheiro físico remete-nos à uma antiga teoria econômica, denominada de “Teoria Quantitativa do Dinheiro”, cujo o expoente mais atual, foi o Economista Americano e Ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 1976, Milton Friedman (1912-2006), que em sua publicação A Monetary History of the United States, que foi feita em conjunto com Anna J. Schwartz, abordava a importância da oferta monetária na influência inflacionária e na estabilidade econômica.
Hoje vivemos em um mundo que não dependemos da quantidade física de dinheiro para a realização de transações comerciais e econômicas, e isto em minha visão de economista, tem influenciado o preço dos produtos, o pagamento de um bem ou serviços sem a visualização física do dinheiro, influencia a percepção de valor relativo do bem ou serviço adquirido, especialmente se for em compras online e isto, afeta os níveis de preços, pois uma parcela da população ainda está em adaptação para a nova realidade da economia digital.
