ARACAJU/SE, 15 de maio de 2026 , 1:36:33

Perspectivas para a inflação

Conforme previsto no Art. 5o do Decreto nº 3.088, de 21 de junho de 1999, o Banco Central do Brasil divulgará, até o último dia de cada trimestre civil, relatório de inflação abordando o desempenho do regime de “metas para a inflação”, os resultados das decisões passadas de política monetária e a avaliação prospectiva da inflação. Dessa forma, considerando-se que no dia 30/09/2022 foi divulgado o 3º relatório de inflação de 2022, abordarei neste breve ensaio, alguns pontos do relatório que sinalizam as perspectivas para a inflação do nosso país.

De acordo com o relatório de inflação do 3º trimestre de 2022, a inflação ao consumidor, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), surpreendeu para baixo no trimestre encerrado em agosto – algo que não ocorria desde o relatório de inflação de setembro de 2020. O relatório aponta que a variação do IPCA se revelou 2,37 p.p. mais baixa do que o antecipado pelo Comitê de Política Monetária (COPOM) em seu cenário de referência. A inflação também foi inferior ao esperado por analistas de mercado.

Importante registrar a questão metodológica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre a inflação oficial do Brasil. Segundo o instituto, o Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor – SNIPC produz contínua e sistematicamente o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA que tem por objetivo medir a inflação de um conjunto de produtos e serviços comercializados no varejo, referentes ao consumo pessoal das famílias. Esta faixa de renda foi criada com o objetivo de garantir uma cobertura de 90% das famílias pertencentes às áreas urbanas de cobertura do Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor – SNIPC.

De acordo com o IBGE, esse índice de preços tem como unidade de coleta estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços, concessionária de serviços públicos e internet e sua coleta estende-se, em geral, do dia 01 a 30 do mês de referência.

Atualmente, a população-objetivo do IPCA abrange as famílias com rendimentos de 1 a 40 salários mínimos, qualquer que seja a fonte, residentes nas áreas urbanas das regiões de abrangência do SNIPC, as quais são: regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, além do Distrito Federal e dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.

Neste relatório que estou analisando, o cenário de referência do Copom considera variações de -0,21% em setembro, 0,36% em outubro e 0,39% em novembro. Caso se concretize, a inflação de 0,54% no trimestre implicará significativo recuo da inflação acumulada em doze meses (de 8,73% em agosto para 5,72% em novembro).

Dessa forma, conforme exposto no relatório, tem-se um cenário que contempla parte dos efeitos das medidas sobre a inflação ainda se materializará nos próximos meses: repasse ao consumidor do corte de impostos sobre serviços de telecomunicação e a retirada das tarifas de transmissão e distribuição e dos encargos setoriais da base de cálculo do ICMS que incide sobre as tarifas de energia elétrica ao consumidor nos estados que ainda não implementaram essa medida. São variáveis importantes que irão impactar a perspectiva de inflação para o fim do ano.

 

De acordo com o relatório, espera-se que o recente recuo nos preços das commodities também contribua para atenuar a inflação nos meses seguintes, em menor intensidade. Ainda assim, a inflação subjacente deve permanecer pressionada, em patamar incompatível com o cumprimento da meta de inflação.

 

Um componente importante e que consta no material é o referente ao preço do petróleo considerado nas projeções, a hipótese é a de que o preço do petróleo segue aproximadamente a curva futura de mercado pelos próximos seis meses, chegando a cerca de US$90/barril, e passa a aumentar 2% ao ano a partir de então. Um ponto importante e que ajudou bastante foi a ocorrência significativa de redução no preço do petróleo nos últimos meses. Na comparação com o Relatório anterior, o preço do petróleo médio considerado para o terceiro trimestre de 2022 é 16,9% inferior, mais do que compensando a diferença da taxa de câmbio.

Para compreender a inflação no Brasil e as suas metas é importante ressaltarmos como anda a inflação pelo mundo. De acordo com o Trading Economics, entre as principais economias mundiais, os 10 países com as menores perspectivas índices de inflação para 2022 são os seguintes: China (2,5%), Japão (3,0%), Arábia Saudita (3,0%), Suíça (3,3%), França (5,6%), Coréia do Sul (5,7%), Indonésia (5,9%), Austrália (6,1%) e, Canadá e Índia (7,0%). Do outro lado, os 10 países com as maiores perspectivas de inflação são: Turquia (83,4%), Argentina (78,5%), Rússia (14,3%), Holanda (12,0%), Alemanha e a Zona do Euro (10%), Reino Unido (9,9%), Espanha (9,0%), Itália (8,9%) e Brasil (8,7%).

Já o Boletim FOCUS do Banco Central do Brasil na posição de 30/09/2022 apresentava as seguintes perspectivas de inflação para o nosso país, com base no IPCA: 2022 (5,74%), índice inferior ao de uma semana atrás que era de (6,61%). Se avaliarmos a inflação por dois outros indicadores que são apresentados pelo Boletim FOCUS, temos para 2022 as seguintes projeções: IGP-M (7,95%), na semana anterior a perspectiva era de (9,96%) e IPCA (somente os preços administrados) (deflação de 4,45%), quando na semana anterior era prevista uma deflação menor de 2,24%. Relembro aqui para os não economistas que a deflação é o processo inverso da inflação, ou seja, ocorre a queda dos índices de preços, os preços dos produtos e serviços são reduzidos.

Para o mês de setembro e os dois meses seguintes, de acordo com o Boletim FOCUS, as perspectivas de inflação no Brasil são as seguintes: setembro (-0,19%), será mais um mês de deflação; outubro (0,34%) e novembro (0,46%).

Para os anos seguintes, as perspectivas de inflação para o Brasil, medidas pelo IPCA são as seguintes: 2023 (4,70%), 2024 (4,00%) e 2025 (3,79%). Se isto efetivamente ocorrer e a nossa perspectiva é que ocorra mesmo, o Brasil voltará a figurar entre os países com os menores índices inflacionários do mundo, o que será muito benéfico para a população de um modo gera