ARACAJU/SE, 15 de maio de 2026 , 3:57:50

Planos de Saúde e gerenciamento de riscos

Você sabe o que é gerenciamento de riscos? E no caso dos Planos de Saúde?

 O Brasil tem atualmente cerca de 58 milhões e meio de usuários de planos de saúde, segundo a ANS – Agência Nacional de Saúde Suplementar, ou seja, quase 25% da população brasileira.

 O faturamento anual dos planos de saúde em 2022 ultrapassou a casa dos 237 bilhões de reais, e mesmo assim, alegam que houve uma queda no lucro líquido em relação a 2021 quando o lucro chegou a quase 4 bilhões, e em 2020 a quase 19 bilhões.

 A reclamação dos planos hoje é que o lucro em 2023 está perto de zero. Esse é o argumento para pedir a ANS autorização para aumentar o valor das mensalidades dos planos e justificar cada vez mais o descredenciamento de redes de hospitais e clínicas, além do afastamento de profissionais reconhecidos em suas especialidades em razão da baixíssima remuneração e da falta de recomposição desses valores há mais de dez anos.

 O que tem faltado aos planos de saúde, a meu ver, é uma verdadeira incapacidade de gerir os riscos do negócio diante da própria alteridade da vida humana e da imprevisibilidade de situações de calamidade, como foi o caso da pandemia da COVID, que vem sendo usada como pano de fundo a justificar aumentos e cortes no setor.

 O gerenciamento de riscos pode, se feito com competência, minimizar as incertezas em ambientes complexos e dinâmicos como o setor da saúde. E isto é vital para o cidadão, enquanto consumidor, que não pode ficar a reboque do interesse único dos lucros dos planos.

 O lobby do setor tem se mobilizado contra os interesses dos seus consumidores ao defenderem a limitação dos serviços e das coberturas, como se fosse possível ter uma previsibilidade sobre a saúde de qualquer pessoa. E a pressão sobre o congresso nacional e sobre a ANS são evidentes em detrimento dos usuários.

 O Brasil precisa urgentemente pensar como resolver o problema da saúde, que por força da Constituição é um direito de todos e obrigação do Estado brasileiro, e se é permitido a exploração da atividade privada da saúde, esta tem que ser efetiva e não uma fonte apenas de lucros exacerbados.

 O risco do negócio é inerente também aos planos de saúde e estes devem ser gerenciados de forma que não inviabilizem a prestação dos serviços em prejuízo dos usuários. É também importante transparência do setor com relação às despesas receitas.