ARACAJU/SE, 1 de maio de 2026 , 13:24:23

Relatório de Cidadania Financeira 2025

 

Abordarei neste ensaio, alguns dados e informações contidas no mais recente Relatório de Cidadania Financeira publicado pelo Banco Central do Brasil, que na visão da autoridade monetária, desempenha um papel essencial ao reunir análises, estudos e pesquisas fundamentais para a formulação, monitoramento e avaliação de políticas públicas voltadas para a inclusão e para a educação financeira. Além disso, contribui de maneira importante para melhorar o ambiente em termos de proteção ao consumidor de serviços financeiros.

A lógica do Banco Central do Brasil ao publicar anualmente um relatório sobre cidadania financeira é buscar orientar a criação de uma cultura de entendimento do sistema financeiro, facilitando a promoção do acesso e uso adequado dos serviços prestados pelo sistema financeiro, com o objetivo de alcançar o bem-estar financeiro da população.

Um dado relevante destacado no 1º capítulo do relatório revela que o número de adultos com relacionamento com instituições financeiras atingiu 175 milhões ao final de 2024, o que representa 96,4% da população adulta. Em termos relativos, entre 2020 e 2024, a expansão foi maior nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, de forma que o acesso ao Sistema Financeiro Nacional vem se tornando praticamente universal.

O relatório aponta que a análise do perfil de acesso a variados segmentos do Sistema Financeiro Nacional demonstra que quase todos os brasileiros possuem pelo menos um relacionamento com bancos tradicionais. Em contrapartida, as denominadas fintechs – empresas de serviços financeiros digitais – já alcançam 123 milhões de clientes, atendendo uma população mais jovem, enquanto as cooperativas atendem 20,8% milhões de pessoas (11,9% dos adultos com relacionamento no Sistema Financeiro Nacional), com atuação concentrada no público masculino e presença proporcionalmente maior na região Sul.

São consideradas como fintechs as Instituições de Pagamento, as Sociedades de Crédito Direto (SCDs) e as Sociedades de Empréstimo entre Pessoas (SEPs) descritas no Unicad. São consideradas como cooperativas as próprias Cooperativas de Crédito, o Banco Múltiplo Cooperativo e o Banco Comercial Cooperativo. Os demais segmentos estão inseridos como bancos tradicionais.

No relatório consta que o brasileiro mantém, em média, 6,7 relacionamentos com instituições financeiras diferentes, um forte crescimento em relação ao início de década.

Além disso, aproximadamente 88% dos adultos no país são usuários ativos do Sistema Financeiro Nacional, e dentre os mais de 21 milhões de adultos sem atividade no Sistema Financeiro Nacional, predominam homens, moradores da região Norte, idosos e sem empregos formais. Entender tais características ajuda no entendimento dos desafios a serem enfrentados pelas instituições na promoção da inclusão financeira.

O aspecto da bancarização é relevante para uma cidadania moderna e interconectada, assim, entender o efetivo uso de produtos e serviços financeiros por parte dos cidadãos permite o desenvolvimento de novas soluções financeiras para a população.

Algo que foi consolidado rapidamente no processo de cidadania financeira no Brasil foi o Pix, que é considerado como vetor de inclusão da população de baixa renda: no relatório do Banco Central sob comentário aponta que uma análise descritiva nos últimos anos, revela um Brasil que passou por uma profunda transformação no sistema financeiro, em especial impulsionada pela criação do Pix – sistema de pagamentos instantâneos lançado pelo Banco Central em novembro de 2020, de forma gratuita para pessoas físicas, cuja adoção, até o final de 2023, já alcançava mais de 70% da população de baixa renda.

Os dados do relatório do Banco Central mostram que, em dezembro de 2023 – três anos após o lançamento do Pix –, 74% dos adultos inscritos no CadÚnico haviam registrado ao menos uma chave Pix, evidenciando a ampla penetração do sistema entre a população de baixa renda. Além disso, 72% desses indivíduos realizaram pelo menos um pagamento via Pix ao ano, demonstrando seu uso expressivo nas transações do dia a dia. A diferença entre acesso (registro da chave) e uso efetivo caiu de 7 pontos percentuais em 2022 para apenas 2 pontos em 2023, indicando maior engajamento e confiança no sistema. O Pix consolidou-se como parte da rotina financeira desse público, uma importante revelação deste relatório de cidadania financeira de 2025.

Fato marcante é que a introdução e rápida disseminação do Pix contribuíram de forma expressiva para a inclusão financeira da população de baixa renda no Brasil. Os dados de dezembro de 2023 evidenciam o sucesso da plataforma em ampliar tanto o acesso quanto o uso de serviços de pagamento entre os adultos inscritos no CadÚnico. À medida que o Pix se consolida, ele não apenas amplia a participação econômica desse público, mas também transforma seus hábitos financeiros, viabilizando transações mais frequentes e de menor valor, adequadas às necessidades cotidianas. Essa mudança é impulsionada pela crescente aceitação do sistema por parte das empresas e pela capacidade das instituições digitais de oferecer soluções de pagamento centradas no usuário.

Também existiu neste período uma reconfiguração dos canais de atendimento, pois apesar da manutenção da cobertura nacional do sistema financeiro, o que efetivamente cresceu foi o número de municípios atendidos exclusivamente por correspondentes bancários. O que impõe uma nova forma de relacionamento da sociedade.

A realidade do momento, aponta uma presença física do sistema financeiro  afetado pelo processo de digitalização, tendo como consequência, a redução na quantidade de agências e de postos de atendimento eletrônico (PAE) e o aumento da quantidade de postos de atendimento (PA) e de correspondentes bancários. E isto influencia na Cidadania Financeira.