ARACAJU/SE, 15 de maio de 2026 , 3:56:17

Tendências do Comércio Global

Dados da Conferências das Nações Unidas sobre o Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) revelam que o valor do comércio global subiu para um recorde de US$ 7,7 trilhões no primeiro trimestre de 2022, um aumento de cerca de US$ 1 trilhão em relação ao primeiro trimestre de 2021, de acordo com o Global Trade Update da UNCTAD publicado em 7 de julho.

Cabe registrar que a UNCTAD é um órgão intergovernamental permanente estabelecido pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 1964. A sua sede está localizada em Genebra, Suíça, e tem escritórios em Nova York e Adis Abeba. Além disso, a UNCTAD faz parte do Secretariado da ONU. A entidade faz reporte à Assembleia Geral da ONU e ao Conselho Econômico e Social e faz parte do Grupo de Desenvolvimento das Nações Unidas.

Segundo a UNCTAD, o crescimento apresentado, representa um aumento de cerca de US$ 250 milhões em relação ao quarto trimestre de 2021, e foi impulsionado pelo aumento dos preços das commodities, já que os volumes comerciais aumentaram muito menos.

Apesar da informação positiva divulgada pela UNCTAD, existe um cenário de incerteza sobre a continuidade do crescimento do comércio porque a guerra na Ucrânia está influenciando o comércio internacional, com repercussões nos preços, via o aumento.

Para a entidade, o aumento das taxas de juros e a redução dos pacotes de estímulo econômico provavelmente terão um impacto negativo nos volumes de comércio no restante de 2022. Além disso, a volatilidade dos preços das commodities e os fatores geopolíticos também continuarão a tornar a evolução do comércio incerta.

De acordo com o relatório da UNCTAD, as taxas de crescimento do comércio no primeiro trimestre de 2022 permaneceram fortes em todas as regiões geográficas, embora um pouco mais baixas nas regiões do Leste Asiático e do Pacífico.

Conforme a UNCTAD, o crescimento das exportações foi em geral mais forte nas regiões exportadoras de commodities, uma vez que os preços das commodities aumentaram.

O comércio de mercadorias atingiu cerca de US$ 6,1 trilhões, um aumento de cerca de 25% em relação ao primeiro trimestre de 2021 e um salto de cerca de 3,6% em relação ao quarto trimestre de 2021.

O valor das exportações de mercadorias dos países em desenvolvimento foi cerca de 25% maior no primeiro trimestre de 2022 do que no primeiro trimestre de 2021. Em comparação, esse número é de cerca de 14% para os países desenvolvidos.

O comércio de mercadorias entre países em desenvolvimento também cresceu fortemente durante o primeiro trimestre de 2022 e o comércio de serviços cresceu para cerca de US$ 1,6 trilhão, um aumento de cerca de 22% em relação ao primeiro trimestre de 2021 e um aumento de cerca de 1,7% em relação ao quarto trimestre de 2021.

O relatório da UNCTAD demonstra que a maioria dos setores econômicos registrou aumentos substanciais ano a ano no valor de seu comércio no primeiro trimestre de 2022.

No entanto, os dados do relatório revelam que os altos preços dos combustíveis estão por trás do forte aumento do valor do comércio no setor de energia.

O crescimento do comércio também foi acima da média para metais e produtos químicos. Por outro lado, o comércio no setor de transportes e equipamentos de comunicação permaneceu abaixo dos níveis de 2021 e 2019.

No curto prazo, devido à demanda global inelástica por alimentos e produtos energéticos, o aumento dos preços de alimentos e energia provavelmente resultaria em valores comerciais mais altos e volumes comerciais marginalmente menores.

Outros fatores que devem influenciar o comércio global este ano são os desafios contínuos para as cadeias de suprimentos globais, tendências de regionalização e políticas que apoiam a transição para uma economia global mais verde.

Este cenário abordado pela UNCTAD remete ao seu papel de apoio aos países em desenvolvimento para que tenham acesso aos benefícios de uma economia globalizada de forma mais justa e eficaz. Pois o cenário apontado revela a existência da necessidade de maior integração econômica para superar o cenário econômico ainda incerto com relação à recuperação.

É importante registrar que existem efetivamente desigualdades profundas entre os países e isto é observado neste relatório e em outros produzidos pela UNCTAD, a exemplo do relatório que analisou os impactos da COVID-19, denominado de Relatório COVID 2022 da UNCTAD.

No referido relatório aponta-se que a pandemia não apenas mostrou como o mundo está interconectado, mas também revelou as profundas desigualdades que existem entre os países em muitas dimensões. A COVID-19 expôs desigualdades na capacidade dos países de mobilizar recursos para lidar e se recuperar da crise, dar proteção social aos mais afetados, oferecer vacinas aos bilhões que precisavam e fornecer cobertura de saúde para todos.

O relatório observa que a assistência oficial ao desenvolvimento para países em desenvolvimento atingiu um novo recorde de US$ 178,9 bilhões em 2021, impulsionado por doações de vacinas e outros financiamentos relacionados ao COVID-19. Mas as necessidades pré-existentes dos países receptores também estão crescendo devido às consequências dos choques econômicos.

Algo que não pode ser desprezado é que a COVID-19 forçou o aumento da transformação digital no mundo, porém a existência de lacunas impediu que muitas pessoas pudessem aproveitar as oportunidades da economia digital.

O desenvolvimento do comércio mundial de forma diferenciada pode ser uma oportunidade de refazermos a sociedade para um futuro melhor. E existem muitas ferramentas para isso que podem ser ativadas, mas é necessária uma ação internacional coordenada para ter sucesso nesse esforço.