Um estudo publicado na revista científica Journal of Infection por pesquisadores da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e outras oito instituições apontou que variantes do novo vírus respiratório já circulavam, pelo menos, há sete meses no estado. O primeiro caso de reinfecção pelo novo coronavírus no Brasil só foi confirmado pelo Ministério da Saúde em outubro do ano passado.
Entre maio e julho do ano passado uma profissional de saúde de 40 anos que mora em Aracaju contraiu duas vezes o SARS-CoV-2 no intervalo de 54 dias. Após a análise das coletas das amostras genéticas da paciente foi identificada no segundo exame uma mutação do vírus que ainda requer estudos para verificar o potencial de transmissão e gravidade. A publicação também documentou a primeira morte por recorrência da doença.
Detectada pela primeira vez em Manaus-AM, a variante brasileira, batizada de P.1, é apontada como uma das possíveis causas para a situação dramática da epidemia na capital amazonense no início do ano. Em Sergipe, sete linhagens já foram localizadas, segundo o Lacen-SE (Laboratório Central de Saúde Pública).
Com experiência em pesquisas de ensaios pré-clínicos de testes e desenvolvimento de vacinas no país, o professor do Departamento de Educação em Saúde da UFS, Diego Moura Tanajura, alerta que a ampla circulação do vírus é o cenário ideal para a ocorrência de mutações. Por isso, a vacinação em massa é apontada como a saída para o controle da transmissão.
“Vacinando a população você acaba diminuindo a chance do vírus circular. Se ele circula menos, você acaba tendo menos mutações e, consequentemente, é menor o surgimento de novas variantes, de novas linhagens,” disse o professor.
As variantes inglesa (B.1.1.7), brasileira (P.1) e sul-africana (B.1351), aponta o professor, são bastantes preocupantes por apresentarem alta taxa de transmissibilidade, com possibilidade de aumentar o número de casos e mortes pela infecção. “Isso não quer dizer que essas três variantes sejam mais letais. Acaba morrendo mais gente porque mais pessoas estão se infectando. É algo proporcional”, informou.
Com o ritmo lento de vacinação, o professor explica que há um risco do vírus se adaptar a novas condições e atacar gravemente outros grupos populacionais. “Então, por isso, é urgente a necessidade de uma vacinação rápida para que não dê tempo do vírus sofrer mutações e se adaptar para infectar outras faixas etárias que não receberam a vacina, já que a gente está falando de vírus, que é um micro-organismo que sofre mutação muito fácil e muito rápido”, alertou.







