ARACAJU/SE, 15 de maio de 2026 , 0:37:07

Diagnóstico precoce da hanseníase diminui tempo de tratamento da doença

A hanseníase é uma doença infecciosa que tem tratamento; se for tratada de forma adequada, o mais rápido possível, não deixa sequelas

A hanseníase é uma doença crônica infecciosa, que comumente se apresenta por manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas na pele e tem tratamento. Ela se caracteriza por alteração, diminuição ou perda da sensibilidade térmica, dolorosa, tátil e força muscular, principalmente em mãos, braços, pés, pernas e olhos e pode gerar incapacidades permanentes.

Hoje, a pessoa que vive com hanseníase pode ter um tratamento eficaz, que o afasta de padrões antigos que reforçam o preconceito, como o isolamento da sociedade. “Desde que se descobriu na microbiologia que essa é uma doença infecciosa, mas que tem tratamento, e que se for tratada de forma adequada, o mais rápido possível, ela não deixa sequelas, esse comportamento tem mudado e temos abolido esse estigma”, disse o médico infectologista, Marco Aurélio Góes.

Prevenção

Dados do Ministério da Saúde mostram que o Brasil é o segundo país com maior número de casos de hanseníase no mundo, perdendo apenas para a Índia. Já em Sergipe, de acordo com o Boletim Epidemiológico de 2022, do Ministério da Saúde, foram registrados 312 casos em 2019; 250 diagnósticos em 2020; e em 2021 foram 246 casos.

A Secretaria de Estado da Saúde (SES) e a Sociedade Sergipana de Dermatologia, em parceria com o Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe, promoveram na última quinta-feira (26) uma busca ativa, em alusão ao Janeiro Roxo, no Ambulatório de Dermatologia do Hospital Universitário.

De acordo com a vice-presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia Regional de Sergipe, a médica Marta Débora Lira, o objetivo da ação é conscientizar a população e também combater a disseminação da hanseníase, que é muito comum no Brasil e muitas pessoas pensam que ela não existe mais.

O diagnóstico precoce, aliado ao tratamento e à investigação das pessoas que convivem ou conviveram com pacientes acometidos pela hanseníase pode interromper a cadeia de transmissão. “O desafio é conseguir descobrir os casos o mais rápido possível, instituir o tratamento imediatamente para quebrar a cadeia de transmissão, além de orientar e ofertar conhecimento, porque se a gente mostrar que a doença existe e que tem tratamento, a população vai buscá-lo ainda mais cedo”, afirmou Marco Aurélio Góes.

O diagnóstico também pode ser feito através de um exame geral e dermatoneurológico para identificar lesões ou áreas de pele com alteração de sensibilidade disponibilizado gratuitamente nas unidades básicas de saúde pelo SUS, assim como os comprimidos do tratamento, eficazes e que variam de acordo com a classificação – seis meses para paucibacilares ou um ano nos multibacilares.

Sintomas:

* Manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas em qualquer parte do corpo, com perda ou alteração de sensibilidade térmica (ao calor e frio), tátil (ao tato) e à dor, que podem estar, principalmente, nas extremidades das mãos e dos pés, na face, nas orelhas, no tronco, nas nádegas e nas pernas;
* Áreas com diminuição dos pelos e do suor;
* Dor e sensação de choque, formigamento, fisgadas e agulhadas ao longo dos nervos dos braços e das pernas;
* Inchaço de mãos e pés;
* Diminuição da sensibilidade e/ou da força muscular da face, mãos e pés, devido à inflamação de nervos, que nesses casos podem estar engrossados e doloridos;
* Úlceras de pernas e pés;
* Caroços (nódulos) no corpo, em alguns casos avermelhados e dolorosos;
* Febre, edemas e dor nas articulações;
* Entupimento, sangramento, ferida e ressecamento do nariz;
* Ressecamento nos olhos.

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