A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) realiza nesta semana, em Brasília, a sua 39ª Conferência Regional para a América Latina e o Caribe. Na abertura técnica do evento, a instituição destacou avanços no combate à fome e à pobreza na região e alertou para a necessidade de acelerar a transformação dos sistemas agroalimentares para enfrentar os desafios climáticos, econômicos e sociais.
Na segunda-feira (2) foi realizada a Reunião de Oficiais Superiores (SOM) da conferência. O subdiretor-geral e representante regional da FAO, René Orellana Halkyer, apresentou os principais resultados alcançados pela região durante o biênio 2024–2025.
Ele destacou a redução da fome e da insegurança alimentar por quatro anos consecutivos na América Latina e no Caribe, mas ressaltou que os avanços não chegaram a todos. Mais de 33 milhões de pessoas ainda passam fome, uma em cada quatro enfrenta insegurança alimentar moderada ou grave e cerca de 182 milhões não conseguem arcar com o custo de uma dieta saudável nessas regiões.
Orellana Halkyer ressaltou que a FAO orientou seu trabalho para consolidar marcos normativos, fortalecer capacidades institucionais e promover investimentos estratégicos capazes de sustentar processos de transformação estrutural nos últimos anos.
Foram realizadas ações de cooperação técnica em gestão sustentável de solos, uso responsável de insumos agrícolas e agricultura resiliente ao clima. Mais de oito mil agricultores foram capacitados por meio do Programa Mundial de Doutores do Solo, ativo em 11 países.
Houve avanços em políticas de nutrição, programas de alimentação escolar e na geração de dados para a tomada de decisões. Em relação ao meio ambiente, a FAO apoiou os países na conservação da biodiversidade, na neutralidade da degradação das terras e na ação climática nos sistemas agroalimentares, com a mobilização de US$ 158,5 milhões em financiamento ambiental e climático ao longo do biênio 2024-2025.
Também foram mobilizados US$ 2,94 bilhões para programas de investimentos em melhoria de vida em 15 países, dos quais US$ 1,75 bilhão foram para financiamentos. A FAO ainda apoiou os países da região no acesso a outros US$ 400 milhões em contribuições voluntárias e na mobilização de US$ 900 milhões em cofinanciamento e coinvestimento.
“A transformação dos sistemas agroalimentares requer compromisso político de longo prazo, investimento de longo prazo e uma cooperação regional cada vez mais sólida. A FAO reafirma seu compromisso de continuar acompanhando os Estados Membros com assistência técnica, inovação e mobilização eficaz de recursos”, concluiu Orellana Halkyer.
A Conferência Regional da FAO é um fórum oficial no qual os Estados Membros da região se reúnem para debater desafios e temas prioritários relacionados à alimentação e à agricultura, com o objetivo de promover a coerência regional em questões políticas de caráter global.
A agenda seguirá até a próxima sexta-feira (6), com a previsão de participação de ministros brasileiros.
O ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, defendeu que o tema da reforma agrária seja incorporado aos debates da conferência.
“Nosso principal foco (na conferência da FAO) é aumentar a soberania alimentar, aumentar a produção e o acesso a esses alimentos, uma transição para a alimentação saudável e também enfrentar as mudanças climáticas na América Latina, que prejudicam muito a produção de alimentos”, afirmou à imprensa.
Fonte: Globo Rural







