ARACAJU/SE, 15 de maio de 2026 , 0:35:50

Primeiro cometa descoberto neste ano pode ter encontro fatal com o Sol

 

Um cometa descoberto no início deste ano a caminho do Sistema Solar interno fará uma passagem extremamente próxima do Sol neste sábado (4), a uma distância que o enquadra na categoria dos “sungrazers” (rasantes ao Sol). Trata-se do primeiro cometa oficialmente descoberto em 2026, designado pela União Astronômica Internacional (IAU) como C/2026 A1 (MAPS).

A descoberta ocorreu em 13 de janeiro, no Chile, por um grupo de astrônomos amadores franceses que utilizavam um telescópio de 11 polegadas em San Pedro de Atacama. O programa é chamado de MAPS, nome formado pelas iniciais dos sobrenomes dos membros: Maury, Attard, Parrott e Signoret.

Em resumo:

– Novo cometa foi detectado, sendo o primeiro descoberto em 2026;

– Ele foi identificado por astrônomos amadores chilenos do programa MAPS;

– Órbita lembra cometa Pereyra, possível fragmento Kreutz;

– Cometas Kreutz passam extremamente perto do Sol;

– C/2026 A1 é grande e, se sobreviver ao periélio, pode se tornar um espetáculo visual.

Pouco depois, o astrônomo Piero Sicoli, do Observatório Astronômico de Sormano, na Itália, analisou a órbita do objeto e encontrou semelhanças com o cometa C/1963 R1 (Pereyra). Isso levantou a hipótese de que ambos possam ser fragmentos de um corpo progenitor ou de outro cometa com trajetória parecida. Objetos desse tipo pertencem à família dos cometas Kreutz, nome que faz referência ao descobridor, o astrônomo alemão Heinrich Kreutz.

Os cometas Kreutz são conhecidos por passarem extremamente perto do Sol, em trajetórias que frequentemente terminam em desintegração. Muitos pesquisadores acreditam que todos possam ter origem em um único cometa gigante que se fragmentou há vários séculos, espalhando pedaços que hoje seguem órbitas semelhantes – extremamente alongadas, mas que não chegam tão longe quanto a Nuvem de Oort (uma imensa reserva de objetos gelados que circunda o Sistema Solar).

Cometa C/2026 A1 combina fatores raros

As primeiras imagens mostram o C/2026 A1 já com uma pequena cauda e uma coma difusa com tonalidade verde. A coloração indica emissão de carbono diatômico (C2), um gás comum em cometas quando começam a liberar material volátil conforme se aquecem ao se aproximar do Sol.

Atualmente, o cometa está na constelação de Cetus, a cerca de 164,3 milhões de km da Terra. Um aspecto que chamou a atenção dos astrônomos foi o objeto apresentar magnitude próxima de 18 quando ainda estava a 2 unidades astronômicas (UA) do Sol. Como 1 UA equivale à distância entre a Terra e a estrela-mãe (em torno de 150 milhões de km), isso faz deste um dos cometas Kreutz mais distantes já observados antes do periélio (ponto mais próximo do Sol).

Fonte: Olhar Digital

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