ARACAJU/SE, 16 de maio de 2026 , 22:41:48

A permanente guerra lá fora

 

O pardal chegou e invadiu o ninho das lavandeiras, que, apesar de lavarem as roupas  de Nossa Senhora, não tiveram condições de sobrepujar o invasor. Foi pardal para todo lado, na cidade, no campo, em tudo se fazia presente. Me lembro de um tempo, início dos anos oitenta, que era tanto pardal que, em frente a minha casa, numa praça, em Itabaiana, uma criança, embaixo de uma árvore, jogou uma pedra para cima e três pardais, atingidos, já desceram mortinhos da silva. Das lavandeiras restaram poucas,  aqui e ali, uma e outra aparecendo, as remanescentes, sem conseguirem ainda a ocupar o espaço anterior. Não conseguiram nenhum manifesto  de grupo religioso.

Mas, como o domínio é do mais forte, o império dos pardais foi afetado pela invasão dos pombos, mais volumosos, que, se reproduzindo como mosca, sentaram no trono que antes pertenceu as lavandeiras, colocando os pardais para correr, no que conta com o silêncio dos vencidos, nenhum comunicado sendo levado ao conhecimento do público, que, de boca fechada e braços cruzados, viu, aos poucos, a alteração da paisagem, sem se dar conta da sua mudança, faltando só Aristides Lobo para testemunhar que o povo assistiu bestializado, atônito e surpreso. Não se proclama mais a República como antes.

Estamos vivendo o império dos pombos. É pombo em todo lugar, nas praças, nos parques, nos mercados, a encher os telhados e platibandas, marcando presença e passagem nas fezes que deixam cair, sem preocupação de usar o sanitário ou de recolher o excremento com sacola de plástico, dando banana a autoridade policial, que não conseguirá nunca identificar o infrator ante dezenas e dezenas de pombos que, em grupos, dominam a urbe, em pontos estratégicos, ciente, como personagens de filmes americanos, pelo menos, os antigos, que nenhum policial vai lhes atingir pelas costas.

Reina paz entre eles. Céu azul, nenhuma turbulência. Porém, o perigo está nos gaviões, a caçar nas praias e a se arranchar nos telhados. O número cresce bem depressa. Do vulcão, nenhum ruído, por ora. Bom, o problema é dos pombos. A gente, só aprecia.