Carnaval e cinzas

Há cerca de dois anos vimos o efeito das aglomerações do carnaval nos levar a primeira onda da pandemia da COVID. Estava na Europa em pleno fevereiro de 2020 e as notícias do novo coronavírus pareciam geograficamente distantes, numa província chinesa que nunca tinha ouvido falar.

Em Lisboa, a televisão portuguesa contava o drama de um português tripulante de um navio de turismo parado em porto do Japão e com inúmeras pessoas contaminadas com o novo vírus, e entre eles um jovem de Portugal cuja esposa implorava por notícias.

Em menos de dois dias, o famoso carnaval silencioso de Veneza, na Itália, tinha sido cancelado, e restrita as viagens para a famosa cidade dos “Dodges”.

Conto tudo isso para ilustrar a preocupação que cientistas e médicos têm com a possibilidade de uma explosão com a variante ômicron após os festejos de momo que algumas cidades e estados ainda insistem em realizar, a exemplo, do Rio de Janeiro.

Ainda bem que Bahia, Pernambuco e outros estados brasileiros já decidiram não realizar o carnaval. Isso, porém, não basta. É preciso campanhas para que as pessoas não se aglomerem e evitem infecções, que levem a sério a vacinação, inclusive de crianças e não trabalhem contra, num desserviço à saúde do povo brasileiro.

O país não suportará uma sobrecarga do sistema de saúde, público e privado. Não temos condições de manter equipes de profissionais de saúde que estão sendo infectadas pela influenza e pela ômicron. Não haverá tempo para novas instalações de hospitais de campanha, e os portadores de outras doenças como o câncer, doenças do coração, sem contar com os doentes renais e tantos outros, que ficarão em risco pela falta de vagas em enfermarias e em UTI’s.

Nessa luta incessante contra o vírus que tem mudado o mundo, muitos ainda não acreditam que será a vacina a maior arma para que possamos vencer a pandemia. Muitos ainda não entenderam que COVID não é um problema de ideologias políticas, mas sim de um problema de saúde que atinge a humanidade.

O planeta está sofrendo com falta de compreensão de que sem o equilíbrio ambiental todos nós adoecemos, de vírus ou não. E se não mudarmos as nossas perspectivas, não haverá carnavais, apenas cinzas.

Autor

José Anselmo de Oliveira

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