Quando a doença é a fome

Os dados anunciados esta semana em pesquisa do IBGE de que cerca de 33 milhões de pessoas passam fome no Brasil passa a ser uma preocupação não só do poder público, deve ser também uma preocupação da sociedade civil. Porque estamos falando de segurança alimentar onde mais de 58,7% da população do país vive na insegurança, ainda de acordo com a pesquisa.

A fome não é somente um problema social e econômico, é também um problema de saúde pública que tem um impacto considerável nas políticas públicas, aumentando o número de pessoas que precisarão de internações e cuidados médicos. Até porque, a fome mata.

A Organização Mundial da Saúde já definiu que a insegurança alimentar se traduz pela carência de vitaminas e minerais decorrentes da carência de alimentos, e ao contrário do que muitos pensam, a desnutrição também atinge pessoas obesas, outro grave problema de saúde pública. A gravidade aumenta nos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento e as maiores vítimas são as crianças de menor idade, as grávidas e as lactentes, além dos idosos.

O problema da fome, além de ser de saúde pública, revela a perpetuação das desigualdades sociais e econômicas, e as mazelas urbanas como a falta de esgotamento sanitário, de água potável e da ausência de moradias dignas.

Revela também em nosso país o paradoxo de que enquanto somos considerados um celeiro de grãos para o mundo, milhões passam fome. Os milhões de toneladas de grãos colhidos e o sucesso do agronegócio não impedem que nos aproximemos dos países mais pobres da África onde a fome é endêmica.

A associação perversa da fome, da ausência de condições sanitárias mínimas, da qualidade dos alimentos acessíveis para essa população, sem contar a ingestão de alimentos contaminados por vários motivos como o uso indevido de agrotóxicos e a poluição de rios e mananciais, tudo isso gera um enorme prejuízo social contabilizado em milhões de pessoas doentes e de mortos por essas mesmas causas.

No momento em que estamos vivendo com uma pandemia que aumentou o número de desempregados, de subempregados e de pessoas que já desistiram de procurar emprego, de uma campanha sistemática em nome de ideologias pouco ortodoxas contra vacinas e contra a defesa do meio ambiente temos uma combinação que é uma verdadeira bomba de alto poder destruidor que ceifará vidas de crianças e idosos, além de mulheres grávidas e lactantes.

O alerta feito pela OMS e que procuro chegar aos leitores é necessário principalmente quando no último dia 07 de junho comemoramos o Dia Mundial da Segurança dos Alimentos. Como se diz: a fome não espera, mata.

Autor

José Anselmo de Oliveira

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